Jesus é Deus, mas a Bíblia diz que ele “não julgou ser igual a Deus”. Como explicar isso?

wrsi 07/10/2021 Relatar Quero comentar

Em Fp 2:6-7, Lemos: “Pois ele, subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana”.

Ora, se Jesus se esvaziou de si mesmo, como o verso afirma, desse modo, como ele poderia ainda assim ser Deus? Isso não seria uma contradição? A impressão entendida por esta afirmação de Paulo é que Jesus esvaziou-se de sua divindade e tornou-se “reconhecido em figura humana”, como está registrado no próximo verso. Em contrapartida, Jesus declarou ser Deus encarnado (Jo 8:58; 20:28). Assim, como seria possível Jesus ser Deus encarnado se ele abandonou a divindade dele para tornar-se homem?

A solução deste aparente paradoxo se dá no fato de que Jesus não deixou de ser Deus no tempo em que ele se fez carne e habitou entre nós. Na verdade, além de ser Deus, Jesus também tornou-se homem. A encarnação de Jesus não aconteceu com a extração da divindade dele, mas adicionando-se humanidade a ele. Uma série de fatores nessa passagem bíblica dão suporte a este raciocínio.

Antes de mais nada, a passagem não diz que Jesus abandonou ou “esvaziou-se de sua deidade”; mas sim, que deixou de lado temporariamente os direitos dele como Deus, “assumindo a forma de servo” (v.7), em nome de uma causa nobre: ser um exemplo para a humanidade e prover salvação do perdido, uma vez que Deus em sua essência espiritual imaculada não poderia transitar entre homens pecadores.

Em segundo lugar, a passagem declara que ele estava na “forma de Deus”, ou que “teve a mesma natureza de Deus” (NTLH). Do mesmo modo que a expressão “forma de servo” (v.7) faz alusão à um servo por natureza, assim também, a expressão “forma de Deus” refere-se a Deus por natureza.

Em terceiro lugar, o final desse mesmo capítulo declara que haverá um dia em que todo joelho confessará que Jesus é “Senhor” (vv. 10-11). Esta profecia é uma citação literal de Isaías 45:23, que se refere a Yahveh – um título de uso exclusivo de Deus.

Paulo atesta que Jesus era Deus eternamente. John Macarthur, comentando sobre a passagem de Fp 2:6 em sua Bíblia de estudo diz que a palavra grega comum para “subsistindo”, na frase: “Subsistindo em forma de Deus (…)” não é utilizada aqui. Em vez dela, Paulo escolheu outro termo que enfatiza a essência da natureza de uma pessoa – seu continuo estado e condição.

Paulo também poderia ter escolhido uma das duas palavras gregas para “forma”, porém escolheu aquela que indica especificamente o caráter essencial e imutável de algo – o que ele é nele e em si mesmo. A doutrina fundamental da divindade de Jesus sempre abrangeu essas características essenciais (Jo 1:1; Cl 1:15-17).

Talvez, uma analogia da arte pode nos ajudar a esclarecer o fenômeno da encarnação e a dar uma explicação à objeção de que Deus se fazer homem e continuar sendo Deus seja impossível é contraditório. Vamos imaginar que um autor inclua a si mesmo no livro dele como um de seus personagens.

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