João Wesley - Tocha tirada do fogo

Luiz Borsato 29/07/2021 Relatar Quero comentar

Tocha tirada do fogo

(1703-1791)

O céu, à meia-noite, era iluminado pelo reflexo sombrio das chamas que devoravam vorazmente a casa do pastor Samuel Wesley. Na rua, ouviam-se os gritos: "Fogo! Fo­go!" Contudo, a família do pastor continuava a dormir tranqüilamente, até que os escombros ardentes caíram sobre a cama de uma filha, Hetty. A menina acordou sobressaltada e correu para o quarto do pai. Sem poder sal­var coisa alguma das chamas, a família foi obrigada a sair casa a fora, vestindo apenas as roupas de dormir, numa temperatura gélida.

A ama, ao ser despertada pelo alarme, arrebatou a criança menor, Carlos, do berço. Chamou os outros meni­nos, insistindo que a seguissem, desceu a escada; porém, João, que então contava cinco anos e meio, ficou dormin­do.

Três vezes a mãe, Susana Wesley, que se achava doen­te, tentou, debalde, subir a escada. Duas vezes o pai ten­tou, em vão, passar pelo meio das chamas, correndo. Sentindo o perigo, ajuntou a família no jardim, onde todos caí­ram de joelhos e suplicaram a favor da criança presa pelo fogo.

Enquanto a família orava, João acordou e, depois de tentar descer pela escada, subiu numa mala que estava em frente a uma janela, onde um vizinho o viu em pé. O vizi­nho chamou outras pessoas e conceberam o plano de um deles subir nos ombros de um primeiro enquanto um ter­ceiro subia nos ombros do segundo, e alcançaram a crian­ça. Dessa maneira, João foi salvo da casa em chamas, ape­nas instantes antes de o teto cair com grande fragor.

O menino foi levado, pelos intrépidos homens que o sal­varam, para os braços do pai. "Cheguem, amigos!", cla­mou Samuel Wesley, ao receber o filhinho, "ajoelhemo-nos e agradecemos a Deus! Ele me restituiu todos os meus fi­lhos; deixem a casa arder; os meus recursos são suficien­tes." Quinze minutos depois, casa, livros, documentos e mobiliários, não existiam mais.

Anos depois, em certa publicação, apareceu o retrato de João Wesley e embaixo a representação de uma casa ar­dendo, com as palavras: "Não é este um tição tirado do fo­go?" (Zacarias 3.2).

Encontra-se nos escritos de Wesley, a seguinte referên­cia interessante, desse histórico sinistro: "Em 9 de feverei­ro de 1750, durante um culto de vigília, cerca das onze ho­ras da noite, lembrei-me de que era esse o dia e a hora, ha­via quarenta anos, em que me tiraram das chamas. Apro­veitei-me do ensejo para relatar a maravilhosa providên­cia. Os louvores e as ações de graças subiram às alturas e grande foi o regozijo perante o Senhor". Tanto o povo, como João Wesley, já sabiam naquele tempo porque o Se­nhor o poupara do incêndio.

O historiador Lecky, nomeia o Grande Avivamento como sendo a influência que salvou a Inglaterra de uma re­volução, igual à que, na mesma época, deixou a França em ruínas. Dos quatro vultos que se destacaram no Grande Avivamento, João Wesley era o maior. Jônatas Edwards, que nasceu no mesmo ano de Wesley, faleceu trinta e três anos antes dele; Jorge Whitefield, nascido onze anos de­pois de Wesley, faleceu vinte anos antes dele; e Carlos Wesley continuou o seu itinerário efetivo somente dezoito anos, enquanto João continuou durante meio século.

Clique na segunda página para continuar navegando
Comentário do usuário