O batismo com o Espírito Santo mal interpretado

wrsi 07/10/2021 Relatar Quero comentar

Paz, amados leitores do Gospel Prime. Se existe um assunto que tem sido mal interpretado por décadas é o batismo com o Espírito Santo. Mas afinal de contas, o que a Bíblia diz de fato sobre isso?

Quando o Espírito Santo vem a nós, passando a habitar o nosso coração, se apossando do nosso corpo como seu templo (1Co 6:19-20), ele inicia o seu trabalho de santificação. Assim, a obra do Espírito se dá em duas etapas: a primeira é a inclusão da pessoa na família de Deus, e a segunda, a obra de moldar a nova criatura à imagem de Jesus de fé em fé, de glória em glória.

O ministério do Espírito Santo envolve tanto em revelar-nos Jesus como em formar Jesus em nós, de maneira que cresçamos firmemente em nosso conhecimento de Jesus e em nossa semelhança com ele (Ef 1:17; Gl 4:19; 2Co 3:18).

Quanto à diferença entre batismo e plenitude do Espírito Santo, o que aconteceu em Pentecoste foi que Jesus “derramou” o Espírito do céu e, assim, “batizou” com o Espírito, primeiro os 120 e depois aos 3 mil. A consequência deste batismo do Espírito foi que “todos ficaram cheios do Espírito Santo” (At 2:4). Assim, a plenitude do Espírito foi o resultado do batismo do Espírito.

O batismo é o que Jesus fez (ao derramar seu Espírito do céu); a plenitude foi o que eles receberam. O batismo foi uma experiência inicial e única; a plenitude, em contrapartida, Deus queria que fosse contínua, o resultado permanente, a norma. Como acontecimento inicial, o batismo não pode ser repetido e, no mínimo, precisa ser mantido. Se a plenitude não for mantida, ela se perde. Se for perdida, pode ser recuperada.

A plenitude do Espírito, uma vez considerada em seus devido contexto, também desmistifica a alegação de alguns em prol da defesa da “segunda benção” como sendo um segundo batismo rumo não ao arrependimento, mas sim, à infusão de poder no cristão.

Pois o enchimento do Espírito Santo foi a força motriz que capacitou João Batista para o seu ministério (Lc 1:15-17). Da mesma força, as palavras de Ananias a Saulo de Tarso, de que ele seria “cheio do Espírito Santo”, parecem referir-se à sua indicação como apóstolo (At 9:17). Às vezes, esse enchimento não concede necessariamente um cargo vitalício, mas sim, uma capacitação para uma tarefa imediata, a exemplo do que aconteceu à Isabel – esposa de Zacarias (Lc 1:5-8, 41, 67).

A respeito da confusão entre o batismo nas águas e o batismo com o Espírito Santo é preciso deixar claro que o texto de Ef 4:5 refere-se ao batismo do Espírito Santo que teve início em Pentecoste e que a expressão do apóstolo Paulo “há um só batismo” pressupõe a inferência de que há um só batismo “espiritual”. Nesse texto o apóstolo fala sobre um fenômeno realmente sobrenatural e poderoso que nos insere para sempre em Jesus e nos identifica com a sua experiência de crucificação, morte e sepultamento; Paulo não está falando de um símbolo ritualístico incapaz de realizar transformação interior.

Na era judaica, até os dias em que João Batista realizava batismos, o batismo nas águas era meramente um ritual de purificação que acontecia pelo ato de alguém lavar, aspergir o outro com água. Desse modo, pode-se dizer que João Batista “purificou cerimonialmente” as pessoas por meio do batismo. E no evento do batismo de Jesus, João tão somente consagrou Jesus para o seu ministério.

Clique na segunda página para continuar navegando
Comentário do usuário