Padre que morreu com Covid-19 planejava missa para queimar máscaras no fim da pandemia: 'Mostrar que vencemos'

ricardo102030 11/12/2020 Relatar Quero comentar

 

Infelizmente, ele não verá o fim do coronavírus ser motivo de celebração. Na quarta (9), uma missa em despedida a Francisco reuniu dezenas de fiéis na Paróquia Nossa Senhora Aparecida e São Roque, no distrito de Brás Cubas, onde era pároco. Sem a possibilidade de velório, o carro da funerária passou pela igreja e fiéis emocionado se despediram com rosas vermelhas e aplausos

O enterro foi no cemitério Parque das Oliveiras, na Vila Oliveira, em Mogi.

“Ele falou assim: gente, quando isso passar, vamos cada um trazer a sua máscara e nós vamos fazer uma missa especial para queimar todas, para mostrar que nós vencemos a Covid-19. Infelizmente ele não conseguiu”, lembra José Luiz Felipe Santiago, que é frequentador e faz parte do grupo musical da paróquia.

O religioso foi internado há cerca de 15 dias no Hospital Jardim Helena, em São Miguel Paulista, com um quadro grave de pneumonia. Os primeiros testes para verificar se estava infectado com a Covid-19 deram negativo. O positivo veio no último, realizado na segunda-feira (7), um dia antes de ele morrer.

A ideia de queimar as máscaras surgiu em agosto, quando a igreja realizou festejos pelo Dia de São Roque, padroeiro dos enfermos. Neste ano o tema foi “São Roque, protegei-nos das pestes e pandemias”. Segundo José, o padre esperava pelo fim do coronavírus, porque queria que seus fiéis voltassem à Paróquia sem medo.

Antes de partir, ele viu a morte de outros três amigos da igreja, dois deles por causa do coronavírus, e estava abalado. “Ele tinha que dar força para a comunidade. Por mais que alguns ali não conseguissem entender o que estava acontecendo no mundo ultimamente, ele tentava passar uma esperança. Falava: 'não desiste'. Até porque esse ano nós tivemos mais três grandes perdas ali”.

José conhecia o padre Francisco desde 2000. Diz que o pároco era como um pai e que na comunidade eles convivam como uma família. A última vez que se viram foi como uma despedida, lembra Santiago. O sacerdote agradeceu e o abençoou.

“Está difícil de engolir. Eu perdi meu pai tem três anos e meio. Ele foi, fez a missa do meu pai. Ontem eu senti como se estivesse perdendo meu pai novamente. Mesma sensação. Era uma pessoa muito querida. Querendo ou não, foi uma vida que nós vivemos com ele”, lamenta.

“No dia 1º de novembro ele veio dar uma benção para mim e para minha esposa, porque a gente estava completando 10 anos de casados. Parece que foi uma despedida dele ali. Ele falou ‘vocês são muito abençoados, vocês sempre nos ajudaram aqui’”, relembra.

Clique na segunda página para continuar navegando
Comentário do usuário